terça-feira, 9 de setembro de 2008

O Problema do Plástico

"Um oceano de plástico"- ver reportagem:




Já todos ouvimos muita coisa acerca do problema do excesso de lixo no nosso planeta. Recentemente tive a oportunidade de ir de barco até à ilha da Madeira, uma viagem que durou 21 horas desde Portimão até lá. O mais incrível é que bastava só estar um pouco de tempo a olhar para o oceano, em pleno alto mar, e lá apareceria uma ou duas embalagens de plástico em pouco tempo de observação. Se o lixo está ali a muitos quilometros da costa (vi também duas tartarugas grandes a nadarem em alto mar perto desse lixo), imagine-se a quantidade que estará perto da costa e que mata tantos animais marinhos, principalmente as tartarugas...
O mínimo que podemos fazer é meter sempre o lixo no lixo mas, infelizmente não é suficiente, é importante adoptar medidas como, por exemplo, utilizar sacos de pano mesmo quando nos oferecem os de plástico, deste modo diminuimos a produção.
Há também petições que tentam proibir sacos de plástico grátis , já o fizeram, por exemplo, no estado da Califórnia e na China. Mas acima de tudo, é preciso começar por nós.
De seguida vou copiar o texto de uma notícia que é o reflexo deste problema no oceano Pacífico, parece que já há um novo continente no meio deste oceano...

Plástico - Durabilidade, estabilidade e resistência à desintegração

As propriedades que fazem do plástico um dos produtos com maiores aplicações e utilidades ao consumidor final, também o tornam um dos maiores vilões ambientais. São produzidos anualmente cerca de 100 milhões de toneladas de plástico e cerca de 10% deste total acabam nos oceanos, sendo que 80% desta fracção vem de terra firme.

No oceano pacífico há uma enorme camada flutuante de plástico, que já é considerada a maior concentração de lixo do mundo, com cerca de 1000 km de extensão, vai da costa da Califórnia, atravessa o Hawai e chega a meio caminho do Japão e atinge uma profundidade de mais ou menos 10 metros . Acredita-se que haja neste vortex de lixo cerca de 100 milhões de toneladas de plásticos de todos os tipos.

Pedaços de redes, garrafas, tampas, bolas , bonecas, patos de borracha, tenis, isqueiros, sacolas plásticas, caiaques, malas e todo o produto possível de ser feito com plástico. Segundo os seus descobridores, a mancha de lixo, ou sopa plástica tem quase duas vezes o tamanho dos Estados Unidos.

O oceanógrafo Curtis Ebbesmeyer, que pesquisa esta mancha há 15 anos compara este vortex a uma entidade viva, um grande animal movimentando-se livremente pelo Pacífico. E quando passa perto do continente, encontram-se praias cobertas de lixo plástico de ponta a ponta.

A bolha plástica actualmente está em duas grandes áreas ligadas por uma parte estreita. Referem-se a elas como bolha oriental e bolha ocidental. Um marinheiro que navegou pela área no final dos anos 90 disse que ficou atordoado com a visão do oceano de lixo plástico a sua frente. 'Como foi possível fazermos isto?' - 'Naveguei mais de uma semana sobre todo esse lixo'.

Pesquisadores alertam para o facto de que toda a peça plástica que foi manufacturada desde que descobrimos este material, e que não foram recicladas, ainda estão em algum lugar. E ainda há o problema das partículas decompostas deste plástico. Segundo dados de Curtis Ebbesmeyer, em algumas áreas do Oceano Pacífico pode-se encontrar uma concentração de polímeros até seis vezes mais do que o fitoplâncton, base da cadeia alimentar marinha.

Todas a peças plásticas à direita foram tiradas do estômago  desta ave

Segundo PNUMA, o programa das Nações Unidas para o meio ambiente, este plástico é responsável pela morte de mais de um milhão de aves marinhas todos os anos. Sem contar toda a outra fauna que vive nesta área, como tartarugas marinhas, tubarões, e centenas de espécies de peixes.

Ave morta com o estômago cheio de pedaços  de plástico

E para piorar, esta sopa plástica pode funcionar como uma esponja, que concentraria todo tipo de poluentes persistentes, ou seja, qualquer animal que se alimentar nestas regiões estará ingerindo altos índices de venenos, que podem ser introduzidos, através da pesca, na cadeia alimentar humana, fechando-se o ciclo, na mais pura verdade de que o que fazemos à terra retorna a nós, seres humanos.

Fontes: The Independent , Greenpeace e Mindfully

4 comentários:

josé garcia júnior disse...

KAT.Está muito bom este teu tema sobre o plastico.E muito ilucidativo.
Que bom que era um Mundo mais limpo e justo também. Continua. É desta forma insistente que se faz ver aos outros o que não devem fazer.

Alentejano disse...

Já conhecia esta peça, mas continua sempre actual...
Só não percebo o que é que a existência de tanto plástico,tem a ver com o preço dos sacos para os consumidores, (os pobres)...
Porque não uma petição para proibir a produção dos mesmos a quem os fabrica (aos ricos)?...
Ou será que eu sou parvo??

CatarinaGarcia disse...

Isso é verdade alentejano. Podiam por exemplo dar sacos de pano em vez de sacos de plástico, mas só dar um número limitado obrigando as pessoas a reflectirem e a trazer sem algum como se fazia antigamente. Infelizmente vai-se sempre pelo modo mais fácil e o pobre é que paga. Mesmo assim, vê-se bons resultados nas leis de certos países que proibiram a sua oferta grátis e isso já é bom, mesmo que tenha um lucro por detrás.

Ambiente e Sociedade disse...

Boa Tarde!

Faço parte de um grupo de Área de Projecto de 12ºano da ESCCB de Vila Nova de Famalicão, e estamos a desenvolver uma acção de florestaão de um terreno no concelho, com a plantação de 1500 Árvores (carvalhos) num só dia.
Queriamos pedir se poderia divulgar o endereço do nosso blog na sua página
Desde já agradecemos

*endereço: http://ambientesociedadeesccb.blogspot.com/